segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Músicoterapia e música contemporânea

Musicoterapia e a Música Contemporânea




O que é música? Essa pergunta para ser bem respondida, se faz necessário um recorte histórico, pois a música foi se estruturando no decorrer do tempo, adquirindo formas diferentes, seguindo seu rumo, sua evolução, que não é qualitativa, pois cada estrutura musical tinha sua beleza correspondente com a estética e possibilidades de cada época. As estruturas desenvolveram-se com a evolução dos instrumentos musicais, que instigavam os compositores, que por sua vez criavam novas estruturas sonoras e assim sucessivamente desde a pré-história musical até as possibilidades musicais futuristas que ainda estão por vir.

Neste percurso, surgem no século XX inúmeros compositores que, insatisfeitos com a monotonia das estruturas musicais vigentes da época, começam a criar música fugindo da estética sonora e gráfica da época, isso porque paralelamente as propostas de uma nova música rompendo com o passado, surge uma nova grafia musical.  Dentro deste espectro chamado de Música Contemporânea, surgem inúmeras propostas de organizações sonoras ou musicais, tais como: música atonal, música experimental, concreta, eletrônica, aleatória, entre outras. Surgem compositores como: Stockhausen, Cage, SchoenbergMessiaen entre muitos outros.

E como a música contemporânea pode contribuir com a musicoterapia? Quando a música contemporânea trouxe novas possibilidades sonoras, um novo conceito para o que vem a ser música (mais amplo), uma nova escuta e novas possibilidades gráficas para a música, ampliou de certa forma as possibilidades musicais para as atividades de musicoterapia. A música contemporânea não é algo simples. Pelo contrário, as estruturas sonoras compostas para serem interpretadas apelos músicos são extremamente complexas e necessitam de horas de estudo e de prática. Porém, podemos oferecer aos pacientes de musicoterapia, alegrias musicais com as construções sonoras, composições terapêuticas ou pedagógicas com a sonoridade que música contemporânea trouxe para o cenário musical. Sigo sempre um princípio básico para fazer música com meus pacientes, que não se modificou com o decorrer dos tempos: música é uma estrutura sonora organizada, com início e fim bem determinados e com intenção musical.

A estética musical terapêutica ganha outra dimensão com o advento da música contemporânea, fica mais generosa, favorecendo aqueles que por motivos diversos, seja por dificuldade física ou psíquica, possam por meio dos sons possíveis de serem produzidos, organizarem estruturas que possam vir a ser chamadas de música. Essas atividades trazem para muitos uma sensação positiva, de bem estar, fazem com que consigamos juntos organizar as possibilidades sonoras que antes pareciam caóticas e sem organização. Essa, para mim, dentro do meu contexto musical terapêutico é a mais importante contribuição que a música contemporânea trouxe para a musicoterapia; a ampliação da estética musical.

Importante ressaltar que a música tradicional continua viva e sendo utilizada na prática da musicoterapia, suas estruturas continuam trazendo muito prazer para aqueles que conseguem ingressar neste universo. É terapêutico poder vir a tocar uma bela melodia num instrumento, um pandeiro, uma bateria. Inclusive a música tradicional pode vir a ser mesclada com a contemporânea e vice versa.

A musicoterapia, e consequentemente o musicoterapeuta, devem estar preparados e abertos para receber, utilizar e organizar todas as possibilidades sonoras: ruídos, grunhidos, estalidos, sussurros, balbucios, gritos, silêncio, enfim; é possível fazer música com os mais diversos tipos de sons na prática musicoterapeutica.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Autismo e Musicoterapia




Autismo e Musicoterapia 

Meu querido Miguel é autista não verbal, atualmente, mais próximos, pudemos adiantar alguns trabalhos musicais que poderão servir de inspiração para muitos outros.

Abaixo o percurso do processo:

Comecei apresentando notas musicais escritas nos cartões sem uma ordem ainda estabelecida. A ideia era ele associar as notas escritas por extenso (DO, Re, ...) nos cartões  que eu apresentava e toca-las nas teclas (com nome das notas) do teclado e assim pudesse entender a proposta. 
Posteriormente começamos a trabalhar uma sequência duas três notas (cartões)  em sequência ( DO RE, DO RE MI...) para que ele pudesse entender que a ideia era ler os cartões da esquerda para direita, conforme escrevemos e lemos,  identificar no teclado e tocar. 
Começamos arriscar com um pouco mais de notas até fazermos a escala de dó ascendente dó ré mi fá sol lá si dó. 
Uma vez entendido que era pra tocar conforme as notas apareciam nos cartões propus uma melodia bem simples. 
Au clair de la lune, canção tradicional francesa. Conseguimos uma primeira parte. A ideia de utilizar esses cartões partiu do fascínio que o Miguel tem pelas imagens que ele fica observando e batendo com dedo nas revistas. Aí está pra vocês uma conquista fruto de um processo de trabalho que pode se ampliar, é apenas um começo.
José Henrique Nogueira

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Autismo e Música Clássica





Relato da prática

Entre tantas atividades terapêuticas e musicais trabalhadas no Espaço 23, tais como a improvisação e criação musical, a prática do canto e de instrumentos, utilizo também a escuta musical e especialmente a da música clássica. O breve relato deste texto, apresentará um resultado de um dos autistas que venho trabalhando e que me surpreendeu. Miguel, 10 anos de idade, está comigo há 4 anos, é um autista não verbal hiperativo, com muita dificuldade de concentração numa atividade. Há dois anos passou a ser meu enteado, o que ampliou a minha proximidade e consequentemente a minha capacidade de observação.  Depois de algumas tentativas  para usar o head-phone, fundamental nesta atividade, ele conseguiu aceitar o acessório e passou cerca de 20 minutos escutando "Música noturna", de Mozart. Aproveitei o momento positivo e promissor e num outro encontro optei por pura intuição a audição da música “Quatro Estações", de Vivaldi, e para minha surpresa ficou por 45 minutos completamente envolvido pela composição.


Foram 45 minutos escutando música, quieto, parado, sozinho, e podia-se perceber sua alegria e interação através de sua expressão. Importante ressaltar que não haviam imagens passando no monitor do laptop.  Televisão, tablet, revistas, ou até mesmo a janela do carro em movimento que são, na maioria das vezes, o que o faz ficar quieto por tanto tempo. E assim ficou sentado, sendo seu sistema auditivo acariciado pelos timbres (sonoridade de cada instrumento), pelas melodias, os ritmos, as surpresas das intensidades (forte e fraco), enfim um complexo de beleza musical iluminando, circulando  em sinapses pelo seu cérebro. Uma experiência positiva que abre espaço para continuarmos investindo nessa direção. 


Pesquisas em Musicoterapia


A musicoterapia é uma técnica terapêutica que usa a música em todas as suas formas com participação ativa ou receptiva. Esta atividade, que é receptiva, há muitos anos vem sendo pesquisada na neurologia, na psicologia entre outras áreas do conhecimento. A ideia básica nestas pesquisas é reconhecer que algumas doenças perpassam e até mesmo se originam no cérebro, que então transmite a uma parte do corpo um estímulo específico que reproduz um distúrbio, uma doença.

A terapia através da escuta musical tenta obter estímulos contrários, que se oponham àqueles que são relacionados à doença. A ideia é tentar criar um anteparo no sistema nervoso, um certo bloqueio para àqueles que possam estar estimulando ou produzindo a alteração . 

A partir de várias melodias de compositores clássicos, os pesquisadores fizeram com que vários pacientes, com dificuldades diversas, tais como: ansiedade, hipertensão, insônia, etc ficassem escutando por um determinado tempo várias obras  musicais, de Mozart, Bach, Beethoven entre outros, e alcançaram efeitos surpreendentes.  Criaram assim algumas listas de obras clássicas que visam auxiliar em diversas doenças. (A lista estará no final do texto)







 Sugestões para se iniciar uma escuta musical


A) Conseguir um head-fone que cubra  a orelha.

B) Sentar inicialmente com a criança no colo conter seus impulsos para se mexer e sair.

C) Geralmente as músicas clássicas são grandes. Pode-se pensar em fazer um planejamento de escuta gradativa. 

D) A escuta, sempre de headphone, pode ser auxiliada entretendo o paciente com algum objeto na mão. 

E) Caso escute pelo YouTube sugiro que se utilize músicas que tenham imagens fixas para não tirar o foco na audição, valorizar a força do alcance das ondas sonoras ao córtex auditivo e a partir daí se espalhar para outras direções do cérebro.



Resultado da Pesquisa da Escola de medicina integral de Caracas


Insônia: 

Nocturnes de Chopin (op.9 No. 3) 

http://www.youtube.com/watch?v=gCPnUFmIJWM 

(Op.15 No. 2) 

http://www.youtube.com/watch?v=SbAEsaZ8_LM 

(ou página 9 # 2) 

http://www.youtube.com/watch?v=YGRO05WcNDk&feature=related 

Prelúdio para a cochila de Fauno por Debussy 

https://www.youtube.com/watch?v=9_7loz-HWUM 

Canon em Re de Pachelbel 

http://www.youtube.com/watch?v=hOA-2hl1Vbc&feature=related 


Hipertensão: 

As quatro estações de Vivaldi 

http://www.youtube.com/watch?v=yb8icchy4H4&feature=fvst  

Serenade nº13 em Sol Mayor por Mozart 

https://www.youtube.com/watch?v=z4Hfv00eqoI 

Música aquática de Haendel 

https://www.youtube.com/watch?v=cnn3TVBDtcA

Concerto para violino Beethoven 

http://www.youtube.com/watch?v=Qx9LOgSGGqk  

Symphony nº 8 de Dvorak 

http://www.youtube.com/watch?v=W5UbrhqdqQE 


Ansiedade: 

Concerto de Aranjuez de Rodrigo 

http://www.youtube.com/watch?v=RxwceLlaODM  

As quatro estações do Vivaldit http://www.youtube.com/watch?v=f_pjH2b808w&feature=related  

Sinfonia de Linz, k425 de Mozart 

http://www.youtube.com/watch?v=JcDFZSEGFno 


Dor de cabeça: 

O Sonho de Amor de Lisz 

http://www.youtube.com/watch?v=_pysf5ixCTQ 

Serenata de Schubert 

http://www.youtube.com/watch?v=ZpA0l2WB86E&feature=related  

Hymn to the Sun by Rimsky-Korsakov 

https://www.youtube.com/watch?v=klDF0jvCdb4


Dor de estômago: 

Música para Telemann's Table 

http://www.youtube.com/watch?v=8exrY_VSeZc 

Haendel's Harp Concert 

http://www.youtube.com/watch?v=iBnr6mJZJFg  

Concerto do oboe de Vivaldi 

http://www.youtube.com/watch?v=jEQ0N9D1NQs 


Energia: 

O Sibelius Karalia Suite 

https://www.youtube.com/watch?v=adKwG9ZuzFw

Serenade of Strings (op.48) por Tschaikowsky https://www.youtube.com/watch?v=DPBKukl0oc4 

Abertura por Guillermo Tell de Rossini http://www.youtube.com/watch?v=6y7tjxii2y4http://www.youtube.com/watch?v=tIxIknEONkU 


Para a cura e harmonia de sua casa: 

Tudo sobre Wolfang Amadeus Mozart 

http://www.youtube.com/watch?v=df-eLzao63I



José Henrique Nogueira 

Musicoterapeuta 

Mestre em Educação Musical




segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Musicoterapia - uma entrevista.

                         


Entrevista à repórter Carolinne Barbosa da Webdia Group








José Henrique Nogueira
🎶 O que é a musicoterapia?
Musicoterapia é o processo de utilização da música e/ou de seus elementos, tais como som, ritmo, melodia e harmonia, individualmente ou em grupo, para estimular a comunicação, fortalecer as relações inter e intrapessoais, facilitar o aprendizado, encorajar a expressão, auxiliar na organização psíquica e outros objetivos terapêuticos importantes, a fim de atender às necessidades físicas, mentais, sociais e cognitivas nas mais diversas faixas etárias.
A utilização da música com finalidade terapêutica vem desde o início da história da humanidade e pode ser encontrada e verificada em registros de desenhos e pinturas de antigas civilizações, em magias e rituais de cura apresentadas por pesquisas arqueológicas, assim como em obras de filósofos e escritores da Antiguidade, da Idade Média, que relatam de maneira bem clara a importância e o poder da música na psique humana. Porém, a musicoterapia, como atividade regulamentada, como profissão, e com seus cursos de formação, começou a se organizar a partir de 1950 nos Estados Unidos, chegando ao Brasil vinte anos depois. Atualmente, é uma profissão muito procurada e prestigiada, existindo vários cursos de formação em todo o país.

🎶  Quais são os benefícios?
São vários os benefícios da musicoterapia. Mas entendo que as benesses da utilização da música num encontro terapêutico dependem muito da sensibilidade do terapeuta e, principalmente, da relação criada com seu paciente. A musicoterapia atua e contribui de maneira bastante significativa em parceria com a fonoaudiologia, psicologia, psiquiatria, psicopedagogia, entre outras. Poderia citar como benefícios, entre os mais importantes:
1. atuar no tratamento da depressão;
2. criar e aperfeiçoar canais de comunicação; 3. proporcionar alegrias e bem-estar;
4. ativar a memória;
5. possibilitar integração social;
6. estimular a coordenação motora.

🎶 Pode citar algumas técnicas da musicoterapia?
A música é uma matéria volátil e dinâmica, passível de ser utilizada em diversos casos de formas e maneiras diferentes. Com ela, estamos atuando diretamente com a emoção, cada pessoa (com o mesmo diagnóstico clínico) que entra no espaço musical terapêutico, pode possibilitar a aplicação de vários procedimentos, abordagens e técnicas diferentes. Poderia citar, entre elas:
1. improvisação instrumental (melódica e/ou percussiva);                2. utilização da voz falada e cantada;
3. recriação de letras de música;
4. composição criativa;
5. audição passiva e interativa (expressão corporal e dança);          6. mesa lira e tubos sonoros.

🎶 Como a música age emocionalmente nos nossos sentimentos? (tanto na questão reflexiva e na alegria).
A música acompanha lado a lado a caminhada da humanidade, desde sua mais remota origem, quanbdo ela ainda era apenas a audição e, certamente, o encantamento originado pelos sons da natureza: o estrondo do trovão, o uivo do vento, o silêncio e os sons ameaçadores da noite. De certa forma, ainda nos mantemos emocionalmente ligados com esses sons até os dias de hoje. Agora cada vez menos “naturais” por causa do crescimento das áreas urbanas, os sons também trazem lembranças algumas das vezes tão importantes, que são utilizados, por fornecerem informações importantes para o sucesso de uma terapia. Com a música, fica mais evidente ainda sua influência nas emoções. Trazem reminiscências de todos os tipos: tristes, melancólicas, angustiantes, saudosas, motivadoras e alegres.
Todos esses sentimentos podem ser trabalhados e principalmente vividos. Cantando, tocando ou apenas ouvindo as canções. Conversando sobre elas, falando de sua importância nos momentos de sua vida. A alegria e o bem-estar proporcionados pela música são sentimentos muitos conhecidos por todos nós. Sem nos darmos conta, quase inconscientemente, nos pegamos cantarolando uma canção, batucando um ritmo, utilizando uma letra de música em nossa conversa. É isso: a música está diretamente ligada em nossa vida.

🎶 Para quem a musicoterapia é indicada?
A musicoterapia atualmente acolhe e ajuda um número cada vez maior de indicações em todas as faixas etárias. Na psiquiatria ou saúde mental, na reabilitação motora, nos mais diversos tipos de síndromes, a música há muitos anos vem contribuindo e proporcionando muitas aberturas e muitas alegrias. Pessoas com Alzheimer também se beneficiam muito com a musicoterapia. No autismo, nos transtornos de déficit de atenção e na hiperatividade, os resultados são maravilhosos. Cresce muito a procura pela musicoterapia também de jovens e adultos sem nenhuma indicação, digamos assim, médica, sem nenhum distúrbio aparente, que querem conhecer os benefícios da musicoterapia, para contrapor o estresse diário, por exemplo.

🎶 Há alguma restrição?
Há registros na literatura de casos muito raros de desencadeamento de um processo convulsivo a partir da audição musical. Mas, na maioria dos casos, as atividades musicais aplicadas por um musicoterapeuta não encontram restrições, elas são abrangentes e generosas, bem diferentes das utilizadas pela educação musical. No espectro de trabalho da musicoterapia, cabem todos os tipos de manifestações musicais. Ou seja, os desafinados nos interessam, os tímidos, os que se autointitulam “sem ritmo”, os silenciosos, assim como os virtuoses, os extrovertidos, enfim. A musicoterapia é um universo que vale a pena conhecer e usufruir de seus benefícios.


                                            





domingo, 25 de dezembro de 2016

MUSICOTERAPIA PARA TODOS

    MUSICOTERAPIA  PARA   TODOS
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www.espaco23.com. Tel. 4141.3846



A musicoterapia atualmente acolhe e ajuda um número cada vez maior de indicações em todas as faixas etárias. Na psiquiatria ou saúde mental, na reabilitação motora, nos mais diversos tipos de síndromes, a música há muitos anos vem contribuindo e proporcionando muitas aberturas e muitas alegrias. Pessoas com Alzheimer também se beneficiam muito com a musicoterapia. No autismo, nos transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, os resultados são maravilhosos. Enfim, são muitas as contribuições da musicoterapia no campo da saúde, mas o que tem chamado muito minha atenção é o fato de pessoas sem nenhuma indicação, digamos assim, médica, sem nenhum distúrbio aparente, estarem querendo conhecer os benefícios da musicoterapia, por exemplo, para se aproximar da música que esteve adormecida durante muito tempo e até mesmo bloqueada por motivos diversos. (A musicoterapia, diferente da educação musical, possui técnicas e atividades propícias para facilitar os desbloqueios.) Assim também, pessoas, tanto jovens como adultos, que passam a procurar a musicoterapia para contrapor o estresse diário. Os jovens ficam muito tensos com as cobranças da vida escolar, e os adultos encontram na musicoterapia um momento de bem-estar e reflexão através da música para continuarem seus caminhos regendo seus trabalhos, suas famílias, seus círculos sociais de maneira harmoniosa. A música  com a musicoterapia tem a capacidade de harmonizar o indivíduo e o grupo.

José Henrique Nogueira
Mestre em Educação Musical
Musicoterapeuta



            Se gostar deixe um comentário por favor. Obrigado



segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

E agora? Qual instrumento meu filho irá tocar?

E agora?                        
Qual instrumento tocar?


 Uma das principais questões para quem matricula seu filho, ainda pequeno, na Iniciação Musical, ou Musicalização, é: em quanto tempo ele começará a tocar um instrumento específico?
Como se sabe, na Iniciação Musical, a proposta é pôr a criança em contato com a música, de forma orientada e criativa, através de vários instrumentos. Esse processo vai depender muito do desejo da criança e do olhar atento do professor, que poderá orientá-la a partir de suas observações em sala de aula. Porém, muitas outras questões surgem no decorrer desse processo, e tentarei resumi-las aqui.
O primeiro detalhe a ser observado é o de que a criança e, muitas vezes, os pais não têm noção do caminho com regras, exercícios e tarefas que são exigidas quando se escolhe um único instrumento para tocar. Não raramente e posso até afirmar que é justamente esse fator que leva a maioria das pessoas a desistir de continuar na aula do “seu instrumento”. 
Além dos aspectos que facilitam o acesso à música, como o cultural/familiar, social e a habilidade corporal/motora e rítmica, é preciso ter desejo pela música, e perseverança para superar alguns obstáculos que aparecem. Para a maioria, um primeiro e pequeno sinal de dificuldade pode abalar a motivação. 
Por isso, é fundamental o encontro com um bom condutor, ou professor - que se adeque ao espírito do aluno, que saiba motivá-lo e trazer a sabedoria para alcançar a música, seja em qualquer direção, seja em outro instrumento, não necessariamente o escolhido pelo aluno. As pessoas, incluindo as crianças, têm muitas atividades hoje em dia, e estudar música requer dedicação. É claro, para um pequeno número de privilegiados, tocar um instrumento poderá parecer uma tarefa fácil. Vários aspectos contribuem para essa performance, que às vezes parece obra divina. Mas, para a maioria, a música chega em um tempo mais lento, pelo campo do prazer e não o da obrigação.
É compreensível a ansiedade dos pais por resultados. No entanto, fazer perguntas, até mesmo na presença do professor, como: “E aí tocou o que hoje?”, “Gostou da aula?”, “Você está gostando?”, “Já escolheu um instrumento?”, pode causar um embaraço que, em vez de aproximar, afasta. Eu também fui e ainda sou assim, com minha filha de 14 anos.  Ela gosta da aula, gosta da professora, e é isso o que importa. Se ela vai tocar e satisfazer meu narcisismo de ter uma filha que toque imediatamente tem sido, para mim, uma boa reflexão que vai para além da música.   
Costumo fazer uma analogia com a natação, que é na verdade uma brincadeira. Quando se aprende a nadar, ninguém leva a piscina para casa para treinar. A conquista se dá com o tempo o tempo de cada um , com paciência, sem cobranças, sem expectativas imediatas, pelo prazer de ir brincar com a música e de elaborá-la com alegria. 
Há 25 anos trabalho com educação musical e há oito anos organizei o Espaço 23 para atender às diversas possibilidades, fantasias, interesses, curiosidades e desejos musicais. Nesse período, alguns passaram por aqui rapidamente, outros ficaram por um bom tempo e se foram pelos mais diversos motivos. E ainda há aqueles que estão aqui há bastante tempo, construindo, brincando e elaborando a música.
Entre os motivos de desistência, além dos já mencionados antes, posso arriscar, com base nestes muitos anos ensinando e aprendendo a ensinar a gostar de música, está o fator tempo - a urgência e a pressão para aprender a tocar logo um instrumento, a sensação de que nada está acontecendo, já que a grande maioria dos alunos não toca em casa. Mas esquecem que tocam aqui no Espaço 23, que não é um espaço apenas de aprendizagem teórica, mas também de prática, de experimentação, de vivência e de escutar música. Aqui, no Espaço 23, a música tem uma função, ganha sentido, torna-se “visível”. A sensação de desânimo que aqueles que estão começando podem ter,  e até mesmo os que estudaram anos com afinco, é proveniente muitas vezes de uma questão básica que pode começar a ser explicada com uma pergunta: o que eu vou fazer com a música?  
A música é uma construção da humanidade e levou milhares de anos para sair do mais rústico bater de pedras até chegar a Beethoven, por exemplo. Essa linda evolução da humanidade em direção à música também se dá em nível individual. Somente aprender a tocar um instrumento não resolve para muitos a questão do que vão fazer com a música. A mecanicidade, o exercício, a prática não garantem nem promovem a sensibilidade e a alegria de tocar. Essa descoberta vem com o tempo, com o tempo, com o tempo…

A seguir, alguns comentários sobre o Espaço 23:

Pedro Notarorberto, 18 anos, desde 2011
Desde criança tive vontade de aprender a tocar um instrumento musical. Fiz aula em locais referência de ensino clássico de violão sem muito êxito, mas foi quando coloquei os pés no Espaço 23 que minha jornada realmente começou. O fato de não possuir uma obrigação de estudo diário fez com que a habilidade viesse com naturalidade. Isso claro sem contar o fato de que pude experimentar os mais diversos instrumentos até escolher um para me acomodar! Tive aula com vários professores (meu pai foi um deles) mas nenhum se compara ao José Henrique, com uma didática fenomenal.

Paloma Moura, 16 anos, desde 2010]
Entrei no Espaço 23 há mais ou menos cinco anos. Quando eu era pequena eu sempre quis tocar teclado e foi nesse Espaço que meu desejo foi realizado. No início, eu só sabia tocar nas teclas, sem saber exatamente o que eu estava tocando. À medida que eu tinha aula eu me aperfeiçoava cada vez mais e hoje, em qualquer lugar que tenha teclado ou piano, eu consigo tocar qualquer música desde que eu tenha a cifra por perto. Tudo isso graças ao Espaço 23 e ao professor José Henrique.
Gabi Nogueira, 13 anos, desde 2010
A minha história com o Zé começou na barriga da minha mãe, que ficava emocionada ouvindo o coral da Curiosa [Idade], que é regido por ele. Foi neste espaço que me apaixonei pela música, em todos os sentidos, assim foi fácil seguir o mestre no Espaço 23, um espaço com o jeitinho do professor, onde pude experimentar todos os sabores que a música pode nos dar. Obrigada, Zé, por despertar em mim a sensibilidade e a calmaria musical de que tanto preciso!

Marcia Figueiredo, mãe da Duda, 7 anos, desde 2013
O mestre Zé Henrique tem uma proposta superdiferente no aprendizado da música. Ainda que a criança tenha um instrumento de preferência - como é o caso da minha Duda, que escolheu o violão!,  sempre o contato com outros instrumentos, como a bateria, o teclado, a flauta e até mesmo o canto, gerando uma experiência completa neste incrível universo.

Ricardo Pontes, pai do Francisco, 14 anos, desde 2012
Não tive dúvidas quando o meu filho mais velho, Francisco, hoje com 14 anos, começou a demonstrar interesse na música ainda com seis anos. Aliado às aulas de Educação Musical na sua escola, fiz questão de complementar os seus estudos no Espaço Musical 23 do José Henrique Nogueira. Lá, além do local privilegiado e cuidadosamente bem organizado, ele poderia ter um atendimento mais personalizado, com um profissional superqualificado e com experiência no trabalho com crianças, jovens, adultos e todos aqueles que tenham interesse em se aprofundar um pouco mais nesse mágico universo musical.
A possibilidade da aprendizagem de múltiplos instrumentos, o contato com outras crianças e jovens (em aulas com 2 ou 3 pessoas), além da sempre convidativa “canja com os pais” são outros fatores que tornam este espaço mais do que um “simples estúdio”, mas uma verdadeira comunidade de troca de experiências, rodeada de carinho, afeto, respeito e claro, MUITA MÚSICA BOA! Passados todos esses anos, meu filho cresceu e amadureceu muito musicalmente. O seu repertório expandiu em quantidade e, principalmente em qualidade indo dos Beatles a João Pernambuco, de Led Zepellin a Cartola, apenas para citar alguns grandes artistas. Isso tudo é muito bacana, mas, acima de tudo e o mais importante, é que ele está tendo a oportunidade de vivenciar uma experiência musical única e que tenho certeza contribuirá para a sua formação não só enquanto músico mas, principalmente, enquanto cidadão. Salve o Espaço Musical 23! 

Claudia Duarte, mãe do Mateus, 15 anos, desde 2012
Espaco 23 é um lugar que quando se entra dá vontade de ficar. Meu filho está nesse lindo trabalho  um tempo que não sei contar. Não é disciplinado, não toca de forma virtuosa, mas é só alegria e vida essa experiência, É estar na música, tocar NELA. Passar por todo o processo. Ficar muito, muito a vontade no e com o ambiente. É isso. Uma linda e rica experiência sensória

Letícia Leme, mãe do Pedro (5 anos), desde 2014
Nunca aprendi tanto sobre instrumentos quanto nesses 2 anos que Pedro frequentou o Espaço 23. Flautas, gaitas, metalofones, bateria, pandeiros, triângulo, contrabaixo e guitarra. É sempre uma novidade divertida e especial. Obrigada pelo espaço amigos do Espaço. Com muito carinho.

Pedro, Letícia é Rogério.


Barbara Kikkawa,  mãe do João Pedro Kikkawa, 14 anos, desde 2014
O Espaço 23 é um lugar muito acolhedor e gostoso de  estar. João já passou por alguns instrumentos e hoje gosta de tocar teclado. Logo que entrou e começou a aprender a tocar violão, eu pedia pra ele tocar em casa  o que estava aprendendo, fez isso poucas vezes, se sentia mais a vontade de tocar quando estava no  Espaço 23. Resolvi não forçar pra ele não perder o interesse na aula. É uma aula que ele adora, se sente bem no Espaço e com a forma como o Zé Henrique conduz.