José Henrique Nogueira é diretor do
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
O Ruído em Belle de Jour / Trilha sonora surrealista de Buñuel
O ruído em Belle de Jour
Trilha sonora surrealista de Buñuel
José Henrique Nogueira
Mestre em Educação Musical
Musicoterapeuta
Buñuel é um expoente do surrealismo no cinema – os sonhos de Catherine Deneuve interpretando a personagem Séverine no filme Belle de Jour (A Bela da Tarde), expondo de maneira poética seus sentimentos lascivos, sádicos, líricos ou mesmo bizarros, revelam muito mais detalhes do que pretendo aqui descrever. O movimento surrealista tinha a obra de Freud como fonte de inspiração. A busca pela interpretação do inconsciente (fantasias, sonhos e devaneios) no cinema e nas artes visuais, com Buñuel, Dali, Miró, entre outros, era um dos grandes temas dos anos 1960. André Breton dizia que Freud foi o responsável por trazer à luz aquela parte do nosso universo mental à qual “fingíamos” não estar conectados.
Uma escuta mais atenta possibilitará perceber que não há melodia ao longo da película, só ruídos. Os ruídos acompanham as imagens em todos os momentos, principalmente nos sonhos. A ficha técnica do filme apresenta os nomes de Pierre Davoust, René Longuet como técnicos responsáveis pela edição e gravação da trilha sonora, porém, é de se presumir que Buñuel foi quem decidiu não colocar música no filme, para potencializar a trama e também por uma questão estética surrealista.
Buñuel tinha possivelmente muitos amigos ligados à música contemporânea na França. Na época em que foi lançado o filme, 1967, a música concreta, estilo que utiliza a realidade dos fenômenos sonoros, que valoriza os ruídos, apresentando uma nova estética musical, há pelo menos 15 anos já era uma realidade no mundo das artes. Vários compositores tais como: Pirre Schaefer, Pierre Henry, entre muitos outros, tornaram Paris a vanguarda da música concreta. Composições nesse estilo consideradas marcos de uma época são: “Études de bruits “estudo dos ruídos” (1948) de Pierre Schaffer; “Le voile d'Orphee II”, de Pierre Henry. A trilha sonora do filme A Bela da Tarde pode ser pensada como uma ideia contemporânea de música, seus ruídos muito bem gravados participam das cenas nos levando a uma interação “concreta” com o enredo.
A música eventualmente traz à memória imagens variadas, boas e más recordações, grandes amores, férias inesquecíveis. Músicas que continuamos a cantar por toda vida e que de alguma forma fazem parte de nós. No entanto, Freud não fala da música, como é sabido, e há muitas explicações, divagações e até mesmo críticas sobre essa, digamos assim, lacuna em sua obra. Particularmente, gosto do argumento de um amigo que diz: - Freud não teve tempo para falar sobre a arte musical.
Mas o ruído esteve presente em sua obra: o ruído, aquele que interfere, que é um agente provocador de uma fantasia. Sugere a possibilidade cênica de uma escuta sigilosa, do silêncio ruidoso que acompanha a atenção minuciosa aos sussurros ocasionais. O ruído escutado passa a ser o significante, uma imagem acústica, que também é, segundo Freud, a história, a lenda dos pais, dos avós, do ancestral. O ruído secreto que a criança escuta temendo revelar sua presença.
A importância do ruído nas fantasias é abordada por Freud em alguns de seus textos. Num deles, relata o caso da Emmy Von N., uma senhora com aproximadamente quarenta anos. Ela passou a se incomodar com os ruídos depois de ter de permanecer em silêncio, imóvel, ao lado da cama em que a filha se encontrava enferma. A partir daí, os sons passaram a contribuir nos seus sintomas. "Pode-se ainda presumir que foi seu horror ao ruído produzido contra sua vontade que tornou traumático aquele momento e fixou o ruído em si como um sintoma mnêmico somático de toda a cena.
Num outro texto, de 1915, sua paciente, na cama com seu amante, afirma ter se assustado “com um ruído, uma espécie de pancada ou estalido, vindo da escrivaninha, junto à janela”. A partir do ruído e somado ao fato de ter visto, ao sair da casa, um indivíduo carregando uma pequena caixa, ela passou a ficar preocupada com a possibilidade de a caixa ser uma máquina fotográfica. Criou então a fantasia de ter sido fotografada em flagrante com seu amante. Freud vê ,nesse caso, o ruído como o disparador de toda a cena. "O ruído acidental, assim, desempenhou meramente o papel de um fator provocador que ativou a fantasia típica de estar sendo ouvida sem saber.”
Para quem não percebeu, a trilha sonora no filme Belle de Jour, para este ela, a trilha, cumpriu seu objetivo, interferindo de maneira subliminar, intensificando as imagens, o roteiro, as interpretações. Ela fez parte do conjunto de informações sensoriais que só o cinema é capaz de oferecer. Os ruídos incidentais, imprevisíveis, ocultos, que percorrem as cenas, como o som de carruagem, miados de gatos, sinos, mugidos, vários ambientes sonoros (cidade, campo, burburinhos, etc.), fazem parte do cotidiano, da mesma forma que a história de Kessel levada para o cinema por Buñuel também faz. A Bela da Tarde é um filme repleto de detalhes que merecem sempre muita atenção. Espero ter contribuído para despertar a curiosidade de assistir novamente esse filme e conferir o quanto ele continua ruidosamente atual e belo.
Fragmento do trabalho realizado na formação em psicanálise
no Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro / 2006
domingo, 19 de abril de 2015
domingo, 2 de agosto de 2009
O Petróleo tem que ser nosso. A última fronteira.
Fiquei muito feliz com convite para musicar e fazer a direção musical do documentário: O Petróleo tem que ser nosso - A última fronteira, dirigido por Peter Cordenonsi. Ele conseguiu fazer com que uma hora de relatos, argumentos, críticas, ideias e sugestões sobre o mesmo assunto se transformasse em algo bom de assistir, num documentário emocionante que ainda ofereceu a possibilidade de informar, elucidar pontos até então bastante obscuros sobre esta questão.
A música num filme deve soar de forma sutilmente percebida. E assim está sendo neste documentário. As músicas participaram junto das imagens sem interferir, sem serem percebidas, mas com certeza participaram da emoção demonstrada pela plateia. Parabéns ao Peter e aos produtores do evento a Sindipetro-RJ, AEPET, FNP (Frente Nacional dos Petroleiros, MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e uma série de outras entidades da sociedade brasileira,que investiram neste projeto. Abaixo segue a música do documentário.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Aula de Música / L. C. Csekö
O professor Luis Carlos Csekö é um amigo, e fico muito feliz em deixar minha filha sob seus cuidados musicais. Em meio a pratos, tambores, queixadas, berra-bois, caxixis, ganzás, entre outros...As crianças vão adquirindo contato de forma organizada e direcionada com aquilo que elas gostam muito de fazer: Som.
Fazer som, é oferecer as crianças a oportunidade de realizar seus desejos sonoros e
consequentemente inspiração para lidar com a vida.
Os pais participaram da oficina na Pro-Arte encerrando mais um ano de atividades.
Sempre há tempo para descobertas.
Máquina: Nikon 70 S / Lente Nikon ED 80-200mm 1:28 D
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Zeca da Cuíca e Guto Goffi
Zeca da Cuíca conta sua história e
dá aula de música para os meu alunos do Ensino Médio
do São Vicente de Paulo com o amigo Guto Goffi.
Foi um espetáculo!!
dá aula de música para os meu alunos do Ensino Médio
do São Vicente de Paulo com o amigo Guto Goffi.
Foi um espetáculo!!

Sambista, Zeca nasceu no morro de São Carlos, no Estácio, no ano passado recebeu do Ministério da Cultura, o título de Baluarte do Samba, entre 60 bambas cariocas.
A história de Zeca se mistura com a do samba há 50 anos, quando foi iniciado
no ritmo pelos mestres Marçal e Ministro da Cuíca.
A história de Zeca se mistura com a do samba há 50 anos, quando foi iniciado
no ritmo pelos mestres Marçal e Ministro da Cuíca.

Recebeu o Estandarte de Ouro de 1982 na condição de Destaque Masculino pela Estácio de Sá e a condecoração com a medalha Pedro Ernesto, em 2001.
Foi personagem de um documentário produzido pelo Canal Futura.
Foi personagem de um documentário produzido pelo Canal Futura.

Zeca sempre foi participação especial junto a Nelson Cavaquinho, Rosinha de Valença, Dona Ivone Lara, Xangô da Mangueira e gravou também com Martinho da Vila,
Paulo Moura, João Bosco, Zeca Pagodinho, entre muitos outros.
Paulo Moura, João Bosco, Zeca Pagodinho, entre muitos outros.
domingo, 17 de agosto de 2008
Alvorecer na Lagoa
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